sábado, 14 de setembro de 2013

O BARÃO VON ESCHWERGE E DONA JOAQUINA DO POMPÉU




                       

O Barão Wilhelm Ludwig Von Eschawege, foi um nobre alemão, diretor do Real Gabinete de Mineralogia do Rio de Janeiro, autor do “Pluto Brasiliensis” (1813), que escreveu como encarregado de estudar e fomentar a já então decadente indústria da mineração. É uma grande autoridade em assuntos brasileiros, tanto que foi o mentor de Goethe, quando se entregou ao estudo dos mesmos, pelos quais passou a interessar-se vivamente o gênio de Weimar.
Transcreverei aqui parte da excelente obra, traduzida pelo Dr. Domício de Figueiredo Murta.
Este importante documento, a que dá um cunho de grande valor a autoridade moral do grande barão, é um relato que nos leva a imaginar quem foi verdadeiramente a dama injustiçada que foi Dona Joaquina do Pompéu. As mentiras e lendas inventadas a seu respeito caem por terra ao lermos esta descrição de uma pessoa que com ela conviveu e por tradição sabemos ser o mesmo uma pessoa de grande valor moral e ético.  D. Joaquina do Pompéu, foi investida de autoridade por aqueles que viam nela um caminho e conforto para seus problemas, por sua personalidade forte e grande senso empreendedor convergiam nela todos aqueles que tinham nela um porto seguro.
É um testemunho irretocável e definitivo da generosidade, fidalguia e cavalheirismo da lendária senhora, o qual comprova a sua hospitalidade franca e nunca regateada a quantos a seu solar aportavam.
No volume 2º, pág. 280 e 281, lê-se o seguinte:

De Pitangui em diante viajamos por amenos campos, banhados por numerosas lagoinhas, onde ao lado da gigantesca jiboia, milhares de aves palustres, aquáticas, grandes e pequenas, ostentam a sua deslumbrante plumagem.
Chegamos assim à Fazenda do Pompéu, que possui uma superfície de 150 léguas quadradas, pelos menos. Ela é habitada unicamente pela família da proprietária desse principado, cujos súditos seriam as quarenta mil gado que habitam essas regiões despovoados e anunciam ao viajor a proximidade de habitações humanas.
No Pompéu, em virtude de insistente pedido, tivemos de permanecer alguns dias na residência da generosa matrona, viúva Dona Joaquina da Silva Oliveira Castelo Branco, que conta dentre seus descendentes sessenta netos. Munidos de todos os viveres possíveis, que davam para diversas semanas, partimos dali para os sertões de novos despovoados, onde nada se poderia arranjar.
NOTA DO AUTOR: desejo tornar público aqui a minha gratidão a essa senhora e a seus filhos pela maneira gentil com que durante semanas, ás vezes, me acolheram nas frequentes viagens que fiz àquela região e pela maior hospitalidade que dispensaram a diversos naturalistas, recomendados por mim. Devo desmentir também um boato que corre a meu respeito, espalhado por alguns viajantes e subscrito por outros. Teria sido contrário à delicadeza dessa digna senhora oferecer a um Barão alemão um presente de mil bois e algumas centenas de cavalos,  e receber este um tal presente.
NOTA DO TRADUTOR: essa senhora célebre pela energia de que era dotada ocupa lugar importante na história do Oeste de Minas. Sua Vida tumultuosa e quase lendária não encontrou ainda quem quisesse retratá-la. E no entanto poucas mulheres já viveram vida igual em que a administração de um feudo imenso, que era a fazenda e as lutas políticas da época, em que tomou parte saliente, fizeram dessa mulher um exemplo vivo de coragem, de energia e de amor à terra natal, digno de ser seguido. Seu velho solar, que abrigou tantos sábios ilustre está hoje em ruínas e sua fazenda, que era em extensão o que é hoje o município de Pompéu, subdividiu-se em várias outras. Nada mais resta, senão lendas pouco respeitosas às vezes e um punhado de ruínas do velho solar, tão cheio de vida e de movimento outrora.
O testemunho autorizado do Barão Eschwege anula em definitivo a obra da maledicência que tem procurado enxovalhar a memória dessa mulher admirável, cuja vida foi entretecida de tantas virtudes, quantas podem enobrecer a criatura humana.
Êle, mais que ninguém revestido de uma idoneidade insuspeita, è quem nos manda de além-mar, quando presta contas de seus trabalhos científicos do “hinterland” brasileiro, aquelas referências elogiosas, que traduzem a irretorquível verdade, acerca da existência em terras brasileiras de uma mulher excepcional, cujo espírito e coração se comparam em grandeza à extensão de seu domínio feudal e se extravasam em prestígio e benemerência até os próprios governos, a que às vezes ela estende as mãos, não para pedir, mas para dar, em gestos de filantropia e patriotismo e em atos de abnegação e renúncia.
Está, pois, reabilitada na plenitude de sua pureza a memória de Dona Joaquina do Pompéu, cujas legítimas tradições reivindicam para ela lugar proeminente no altar da pátria.
A tradição de uma coragem varonil foi certamente a que lhe deu o sentido mais decisivo na vida, obrigando-a a andar armada para a sua defesa pessoal.
Conta-se que ela um dia dissera na intimidade dos seus: Sou eu Talvez o único homem dessas redondezas!

Eis portanto um verdadeiro relato sobre Dona Joaquina do Pompéu, tal como era, jamais como queriam que fosse os seus gratuitos detratores e desconhecedores de sua vida.


terça-feira, 23 de julho de 2013

Transcrição do Testamento de Dona Joaquina do Pompéu

Caros leitores, hoje publico a transcrição do testamento de Dona Joaquina do Pompéu, que na verdade se assemelha mais a um codicilo, que segundo o grande jurista Carlos Roberto Gonçalves trata-se do ato de última vontade, destinado, porém, a disposições de pequeno valor ou recomendações para serem atendidas e cumpridas após a morte.

Foi escrito em 1822, ou seja, dois anos antes de seu falecimento que ocorreu aos 7 de dezembro de 1824. 

Algumas palavras foram transcritas do mesmo modo que se encontra o original, pertencente parte ao Arquivo Público Mineiro e outra parte ao Arquivo de Pitangui.

In nomine. Saibam quantos este testamento virem que sendo no ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e vinte e dois, aos vinte e oito dias do mês de Fevereiro do dito ano, nesta fazenda do Pompéo, em casas de minha morada. Eu D. Joaquina Bernarda da silva de Abreu Castello Branco, estando de saúde  e em meu perfeito juízo, quero fazer as minhas disposições de último vontade, na maneira seguinte: Declaro  que sou natural da Cidade de Mariana, filha legítima do Doutor Jorge de Abreu Castello Branco e de sua mulher. Jacinta , já falecida. Declaro que fui casada com o Cap. Inácio de Oliveira Campos, de cujo matrimônio temos os seguintes filhos:  Cap-Mor Felix de Oliveira Campos, que foi casado e se acha viúvo, e tem filhos de seu matrimônio; o Cap. Joaquim Antônio de Oliveira Campos, o Ten. Ignacio de Campos, Anna Jacinta de Oliveira  Campos, já falecida que foi com o Cap. Thimoteo Gomes Valadares, de cujo matrimônio ficaram filhos, Maria Joaquina de Oliveira Campos, já Falecida, casada que foi com o cap. Luís Joaquim de Souza Machado, de cujo matrimônio ficaram filhos, Joaquina de Oliveira campos, casada que foi como o Cap. Antônio Álvares da Silva, também falecida, e de seu matrimônio ficaram filhos, Anna Joaquina de Oliveira Campos, casada com o Cap. João Cordeiro Valadares, Antônia de Oliveira campos, casada com o Guarda-Mor Joaquim Cordeiro Valadares, Isabel jacinta, casada com o Cap. Martinho Álvares da Silva, cujos meus filhos e netos declaro por meus universais herdeiros.
            Declaro por meus testamenteiros em primeiro lugar a meu filho o Cap. Joaquim Antônio de Oliveira Campos, em segundo lugar a meu genro o Cap. João Cordeiro Valadares, em terceiro a meu filho o Tem. Ignácio de Oliveira Campos, em quarto a meu filho o Cap. Mor Felix de Oliveira Campos, em quinto a meu genro o Guarda –Mor Joaquim Cordeiro Valadares, e deixo oito para dar contas das minhas disposições: caso o não possam fazer dentro deste tempo concedo mais dois anos e em prêmio  de seu trabalho duzentos mil réis.
            Declaro que depois de meu falecimento será meu corpo envolto no hábito de Nossa Senhora do Monte do Carmo de que sou irmã professa na ordem do Monte do Carmo de Vila Rica, e sepultada na minha Capela de Nossa Senhora da Conceição desta minha Fazenda do Pompéo, e só virá um sacerdote para encomendar meu corpo. Declaro que no dia do meu enterro e nos seguintes se darão de esmola aos pobres mais necessitados cincoenta mil réis, de eleição de meu testamenteiro. Declaro que se dirão por minha Alma duzentas missas, pelos sacerdotes desta Freguesia.
             Declaro que deixo cem mil réis para as obras necessárias que precisar a Capela de Nossa Senhora da Penha do Batatal da Vila de Pitangui, de que sou protetora.
            Declaro que tenho em meu poder cem mil réis pertencentes à capela de Nossa Senhora da Conceição desta minha Fazenda do Pompéo, que me entregou o testamento de Manoel Gomes da Cruz, e eu deixo mais duzentos mil réis para se acabar a dita Capela, no que cuidará logo o testamenteiro que aceitar esta testamentaria.
            Deixo quatrocentos mil réis da minha terça a meu filho Cap. Joaquim Antônio de Oliveira Campos por ser o filho que mais me tem ajudado para o aumento dos meus negócios, largando a sua casa e lavoura só para me servir, com grande prejuízo de seu serviço.
            Deixo fôrras a minha escrava mulata Maria Agostinha e duas filhas dela por nome Luíza e Marcelina: logo depois do meu falecimento lhes passará meu testamento suas cartas de liberdade. Deixo mais à dita mulata Maria Agostinha vinte e quatro mil réis de esmola pelos bons serviços que me tem feito. Deixo mais cem mil réis à dita minha escrava Luíza, filha da dita Maria Agostinha, para seu casamento, que lhe será entregue depois que ela se casar.
            Declaro depois de cumpridos os meus legados, o que sobrar de minha terça deixo a todos os meus netos nascidos de matrimônios, com igualdade, tanto machos como fêmeas.
            Declaro que tenho um livro de razão onde se fazer várias declarações, e tudo o que se achar nêle escrito, por mim assinado, valerá como parte essencial deste testamento, por ser esta a minha última vontade.
            E nesta forma hei por acabado este meu testamento que escreveu a meu rogo José Moreira de Carvalho no dia, mês e ano acima declarado e vai por mim assinado. Joaquina Bernda. da Sa. de Abreu Castel Branco. Eu este escrevi a rogo, José Mora. De Carvalho.
            Declaro mais que tenho declarado neste meu testamento, que tenho nove herdeiros, e deixo os remanescentes de minha terça para se repartir em nove partes, depois de partida tocar cada uma parte aos meus netos e netas, de cada casal, e ainda serão comtemplados aqueles que nascerem até o meu falecimento, e depois de partidas as nove partes, da parte que tocar a meu genro o Cap. Antônio Álvares da Silva terá o dito trezentos mil réis para si e o mais partirá com seus filhos e filhas, e quando este meu genro seja falecido primeiro do que eu, nesse caso fica para os meus netos, filhos do mesmo, e netas: esta minha deixa só se entende netos filhos legítimos.
            E mais não declarei e mandei escrever esta declaração pelo segundo Tabelião José Ferreira Rates, somente por mim assinada.

(a)  Joaquina Bernda. Da As. De Abreu Castel Brco.

Assinatura de Dona Joaquina em documento de 23 de outubro de 1801
(Arquivo Público Mineiro)

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Exposição de Fátima Santiago no Centro Cultural Dona Joaquina do Pompéu

Dia 19/01/2013, abrimos de forma solene no Centro Cultural Dona Joaquina do Pompéu a exposição "Fátima Santiago: De volta às suas Origens". Onde a artista pompeana radicada em Belo Horizonte apresentou pela primeira vez em sua terra seu trabalho em aço e inox. Elogiada pela crítica como uma expoente da arte contemporânea foi uma grande festa com presenças marcantes de várias personalidades da área cultural e política de Minas Gerais, além da artista acompanhada e seus familiares estiveram presentes o presidente do BDMG Cultural Washington Mello, Maria Elvira Sales Ferreira, Dr. Gilberto Madeira Peixoto e Raimundo Nonato Fernandes, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, Ozéas da Silva Campos, presidente da Câmara Municipal de Pompéu, Dr. Edimur Faria, Morgan da Motta, renomado crítico de artes. 

A exposição que tive a honra de ser o curador mostra e definição da arte em seus vários aspectos e a transformação na sociedade que ela pode fazer. 

A sociedade pompeana se fez presente e prestigiou o trabalho da artista que ficou exposto até o dia 03/03 e recebeu cerca de 500 visitantes. 

Chegada de Washington Mello, presidente do BDMG Cultural


O curador da exposição, Hugo de Castro e a artista Fátima Santiago

Hugo de Castro, Carlos Fóscolo, Maria Elvira Sales Ferreira e Morgan da Motta

Dr. Gilberto Madeira Peixoto, Dr. Edimur Faria e Fátima Santiago 



Dr. Raimundo Nonato Fernandes, Dr. Gilberto Madeira Peixoto, Washington Mello, Cris Camargo, Hugo de Castro e Fátima Santiago

Larissa Maciel, Carol Maciel, Tiago Debertolli, Hugo de Castro e Laura Valadares

Dr. Rondon Rocha e Dr. Hamilton 

Os amigos de Bom Despacho, Bruno, Paulinha, Rosa e Gomes






Visita do senhor prefeito Municipal 

Homenagem a Ari Castelo Branco Filho

No dia 2 de maio inauguramos no Espaço Laranjo, do Museu da Cidade, no Centro Cultural Dona Joaquina do Pompéu, o retrato de Ari Castelo Branco Filho, ultimo proprietário do Solar do Laranjo, que se encontra hoje dentro da sede do município de Pompéu.

Prefeito Joaquim Campos Reis, Fátima Faria Castelo Branco, Dani Castelo Branco e Hugo de Castro

Amigos e familiares prestigiam evento

Tenente Mauro fala em nome do Conselho Histórico

Hugo de Castro, Cristiane Camargo, Joaquim Campos Reis, Fátima Faria Castelo Branco e Dani Castelo Branco


Além da esposa Fátima Faria Castelo Branco acompanhada da filha Daniele, netos e amigos, participaram também o senhor prefeito Municipal Joaquim Campos Reis, a Chefe de departamento de Cultura Cristiane Camargo, além de mim como coordenador do Centro Cultural e presidente do Conselho Histórico.

Após a solenidade oferecemos um coquetel na sala consistorial do Centro Cultural.


domingo, 25 de novembro de 2012

PROJETO RONDON OU PROJETO ADONIAS?


Pompéu, como todos os lugarejos e cidades do mundo tem sua identidade própria e personagens que marcaram épocas por seus modos peculiares e as vezes engraçados ou até mesmo por dramas vividos por estas pessoas que ajudaram a construir nossa história com vários casos e causos.
Um bem curto e engraçado relaciona vários nomes curiosos e saudosos de nossa cidade como o grande Múcio do cartório, que foi uma figura interessante de nossa cidade. Típico pompeano, da família dos Álvares da Silva e Abreu e contagiava todos com sua alegria e suas tiradas que fazem parte de nosso anedotário. Outra figura que faz parte deste causo é amigo Adonias que a pouco tempo nos deixou neste mundo e partiu para a casa do Pai.
Adonias Rocha era filho de João Batista da Rocha e dona Dalva Maciel, irmão de Rondon e Lindalva, era outro personagem que nos remete a sentimentos de saudades. Sempre alegre e boêmio era conhecido por gostar de sair, conversar e é claro tomar uma boa bebida. Já Rondon sempre foi mais compenetrado, estudou Direito e exerceu funções na área e assumindo com o tempo o cartório de Ofício de Notas que fora do pai. Rondon foi vereador e prefeito de Pompéu. Ou seja, entre os irmãos que aparentemente tinham muito em comum o mesmo não podemos dizer de suas personalidades, cada um ao seu modo eram bem diferentes.
Conta o mestre José Gilberto de Carvalho(Zé do Eli), que certa feita chegaram a Pompéu alguns jovens estudantes de medicina do projeto Rondon*, que logo se interagiram com o receptivo e acolhedor povo pompeano, fazendo festas e indo para bares todos os dias da semana.
Mas um dia a bagunça no bar Balaio estava fora do normal e Múcio passando perguntou quem eram os arruaceiros, no que teve a rápida resposta: “seu Múcio, são os estudantes de medicina do projeto Rondon!” Múcio foi rápido também para rebater a resposta: “Projeto Rondon??? Isto está mais para projeto Adonias!” 

Um abraço aos familiares de Múcio, Adonias e Rondon!

SOLENIDADE DE CRISTO REI E SUA ORIGEM



 CRISTO REI DO UNIVERSO

Sua Santidade, o Papa Pio XI


Cristo Rei do Universo! Esta frase deve ser entoada por toda a cristandade  para efeito de glorificarmos Aquele que deu Sua vida para nos salvar, e nos salvando da morte com Sua morte ressuscitou para nos mostrar Sua glória e esplendor!
A solenidade do Cristo Rei foi instituída por Sua Santidade o Sumo Pontífice Pio XI em 1925, numa época em que a laicidade, o relativismo e o anticlericalismo estavam arraigados no ocidente.

Em especial no México que depois da Constituição de 1917 retirava vários favores da igreja católica fazendo certas restrições que invadiam o campo da liberdade religiosa em uma sociedade tradicionalmente católica e com fortes raízes no Marianismo por ser uma nação de origem espanhola.

Cinco dos artigos da constituição mexicana de 1917 visavam especialmente reduzir a influência da Igreja Católica na sociedade mexicana. O artigo 3º exigia uma educação laica nas escolas. O artigo 5º ilegalizava as ordens monásticas. O artigo 24º proibia o culto em público fora das igrejas, enquanto que o artigo 27º restringia os direitos de propriedade das organizações religiosas. Finalmente, o artigo 130º retirava aos membros do clero direitos cívicos básicos: padres e lideres religiosos estavam proibidos de usar os seus hábitos, não tinham direito de voto e estavam proibidos de comentar assuntos da vida pública na imprensa.

Em 1926 iniciaram as primeiras revoltas depois que o presidente Plutarco Calles iniciou a aplicação destas leis com todo rigor. Este conflito conhecido como Guerra dos Cristeros se estendeu até 1929 e vários padres, freiras, seminaristas e fieis foram executados com toda crueldade que se possa imaginar.

Dentro deste contexto Sua Santidade Pio XI instituiu a solenidade do Cristo Rei no último domingo de outubro, mas com a reforma do Concilio Vaticano II esta festa passou para o último domingo do ano litúrgico, ou seja, o domingo que antecede o primeiro domingo do Advento do Natal.

A finalidade politico-religiosa da festa do Cristo Rei tem por finalidade demonstrar o senhorio e a primazia de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre toda a humanidade, muito acima das situações de ateísmo e falta de religião que se encontra nossa sociedade. A falta de Deus nos lares e nas famílias são alarmes para que sejamos cada vez mais propagadores do Evangelho e sua benesses.
Um importante passo para o caminho da paz e para sermos seguidores do reino de Cristo é o ecumenismo. Aceitar o irmão com suas diferenças, sem atitudes preconceituosas é um passo a caminho da busca da tão sonhada paz, a paz do reino de Cristo!




terça-feira, 20 de novembro de 2012

O BELO E FAMOSO "DISCURSO DA LUA" DE JOÃO XXIII





Hugo de Castro






(Link do Youtube - Discurso da Lua, PapaJoão XXIII)

Queridos amigos leitores deste blog, aos quais dirijo minhas palavras nestes dias que a paz e luz nos iluminou de forma divina pelo caráter espiritual e ao mesmo tempo profana pela força vital.
Recebi esta semana um belo vídeo que mostra o famoso “Discurso da Lua”, pronunciado pelo Beato Papa João XXIII na  noite de 11 de Outubro de 1962, após a sessão de abertura do concílio Vaticano II quando uma multidão de fiéis acorreu espontaneamente à Praça de São Pedro com velas e em oração. Informado pelo seu secretário, Mons. Capovilla, João XXIII aproximou-se à janela, e emocionado, falou de improviso. O caráter coloquial e absolutamente inesperado da sua saudação, granjeou-lhe o título de “Discurso da Lua”, devido à referência que o mesmo fez no início do diálogo sob uma belíssima lua cheia que iluminava a multidão.
O embaraço provocado pelo conteúdo e forma das suas palavras ficou espelhado na transcrição das mesmas, que não corresponde ao original. A versão que apresento procura reproduzir a originalidade do acontecimento, o carácter coloquial e o estilo paternal do papa Roncalli. As gravações que existem são parciais e apenas a união das partes permitiu esta aproximação.
Procurei postar este texto e o vídeo anexo devido a emoção que senti ao ouvir e depois ler estas belas palavras, ditas do fundo da alma e que podem ser ouvidas até os dias atuais em momentos que nossa alma necessita de um carinho e um consolo de paternal. Enfim, a todo ser, que diante das dificuldades consegue sobressair e vislumbrar a face divina nas belezas do universo.
Tradução de Pablo Lima e Tiago Freitas.
Caros filhinhos, ouço as vossas vozes. A minha é apenas uma, mas condensa a voz do mundo inteiro. Todo o mundo está aqui representado.
Parece que até a lua antecipou-se esta noite – observai-a no alto – para contemplar este espetáculo. É que encerramos uma grande jornada de paz. Sim, de paz: Glória a Deus e paz aos homens de boa vontade.
A minha pessoa não conta para nada, quem vos fala é um irmão, que se tornou pai por vontade de Nosso Senhor, mas tudo junto – paternidade e fraternidade – é graça de Deus, tudo, tudo.
Continuemos, pois, a amar-nos, a querer-nos bem, a querer-nos bem; olhando-nos mutuamente no encontro, recolhendo aquilo que nos une, deixando de lado qualquer coisa que nos possa criar dificuldade: nada. Fratres sumus .
Esta manhã aconteceu um espetáculo que nem a basílica de São Pedro, que tem quatro séculos de história, alguma vez pôde contemplar.
Honremos as impressões desta noite. Que os nossos sentimentos permaneçam sempre como agora os manifestamos diante do Céu e da terra. Fé, esperança, caridade, amor de Deus, amor de irmãos. E assim, todos juntos, mutuamente apoiados, na santa paz do Senhor, nas obras do bem.

Quando regressardes a casa, encontrareis os vossos meninos. Fazei uma carícia às vossas crianças e dizei: «esta é a carícia do Papa». Encontrareis algumas lágrimas por enxugar, fazei alguma coisa… dizei uma boa palavra: «o Papa está conosco, especialmente nas horas de tristeza e de amargura».
E assim, todos juntos, animemo-nos, cantando, suspirando, chorando mas sempre, sempre cheios de confiança em Cristo que nos ajuda e nos escuta, para avançarmos e retornarmos o nosso caminho.
E, agora, tende a gentileza de atender à bênção que vos dou e também a boa-noite que me permito desejar-vos.

                                      
A multidão na praça durante o discurso (Luce)

TEXTO ORIGINAL:
Cari figlioli, sento le vostre voci. La mia è una voce sola, ma riassume la voce del mondo intero. Qui tutto il mondo è rappresentato. Si direbbe che persino la Luna si è affrettata stasera, osservatela in alto, a guardare a questo spettacolo. E é che noi chiudiamo una grande giornata de pace. Sì, di pace: Gloria a Dio, e pace agli uomini di buona volontà.
La mia persona conta niente, è un fratello che parla a voi, diventato padre per la volontà di Nostro Signore, ma tutto insieme, paternità e fraternità, è grazia di Dio, tutto, tutto.
Continuiamo dunque a volerci bene, a volerci bene così, a volerci bene così guardandoci così nell’incontro, cogliere quello che ci unisce, lasciar da parte quello che se c’è, qualche cosa che ci può tener un pò in difficoltà, niente. 
Fratres sumus.
Stamattina è stato un spettacolo che neppure la basilica di san Pietro che ha quattro secoli di storia non ha mai potuto contemplare. Facciamo onore alle impressioni di questa sera. E siano sempre i nostri sentimenti come ora li esprimiamo davanti al Cielo, e davanti alla Terra. Fede, Speranza, Carità, Amore di Dio, Amore di Fratelli. E poi tutti insieme, aiutati così, nella santa pace del Signore, alle opere del Bene.
Tornando a casa, troverete i bambini. Date una carezza ai vostri bambini e dite: “questa è la carezza del Papa”. Troverete qualche lacrime da asciugare, fate qualche… dite una parola buona: “il Papa è con noi, specialmente nelle ore della tristezza e dell’amarezza”. E poi tutti insieme ci animiamo, cantando, sospirando, piangendo ma sempre, sempre pieni di fiducia nel Cristo che ci aiuta e che ci ascolta, continuare e riprendere il nostro cammino. Così dunque vogliate attendere alla benedizione che vi dò e anche alla buona notte che mi permetto di augurarvi.