sábado, 12 de março de 2011

O MORGADO DE PE. DR. JORGE DE ABREU CASTELO BRANCO (PAI DE DONA JOAQUINA DO POMPÉU)

       As virtudes humanas devem ser veneradas e preservadas, e são as maiores heranças que podem ser deixadas por nossos ancestrais.
      A partir desta semana publicaremos a cada sábado documentos do Morgado. Mas o que é o Morgado? Neste contexto que vos apresento, o Morgado é um testamento espiritual deixado pelo Pe. Dr. Jorge de Abreu Castelo Branco, pai de Dona Joaquina do Pompéu. Pe. Dr. Jorge de Abreu Castello Branco nasceu no ano de 1723 na cidade de Viseu em Portugal e era filho de José Rabello Castellobranco e Dona Izabel Maria Guedes.
      Era bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, mas ainda na juventude iniciou a carreira eclesiástica chegando a receber as Ordens Menores das mãos do Bispo de Nankin, Dom Frei Manoel de Jesus e Maria em 1745. No ano de 1747 já tendo abandonado a vida religiosa muda-se para o Brasil e vem para cidade de Mariana, onde se casa em 1748 com Jacinta Tereza da Silva, natural da Ilha do Faial, filha de Gaspar José da Silva e de Dona Bernarda Maria da Conceição. O casamento ocorreu na capela de Santo Antônio do Bacalhau, freguesia de Guarapiranga, Diocese de Mariana.
O casal teve os seguintes filhos:
 - Eufrásia Leonor Guedes da Silva Sobral Abreu Castelo Branco, casada com Dr. Manuel Ferreira da Silva;
  - Ana de Abreu Castelo Branco, que casou-se com o viúvo de se sua irmã Eufrásia;
  - José de Abreu Castelo Branco;
  -  Agostinho de Abreu Castelo Branco;
  - Joaquina Bernarda da Silva de Abreu Castelo Branco(há controvérsias sobre a assinatura Souto Mayor), casou-se com o Cap. Inácio de Oliveira Campos em 1763 na Vila de Pitangui.
  - Francisco Jorge de Abreu Castelo Branco
  - Floriana de Abreu Castelo Branco;
  - Domiciano de Abreu Castelo Branco;
  - Germano de Abreu Castelo Branco;
        No ano de 28 de março de 1762, Dona Jacinta Tereza falace em Mariana onde seu corpo é sepultado precisamente na capela do Cemitério de São Francisco, irmandade da qual era irmã. No mesmo ano Dr. Jorge envia uma petição ao então Bispo de Mariana, Dom Manoel, com o ensejo de finalizar seus estudos e ser ordenado padre da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, o que vem acontecer no dia 24 de setembro do mesmo ano.

       Permanece em Mariana até ser transferido para Pitangui, para onde leva seus filhos e inicia a composição do Morgado, que é dividido em 15 documentos que nos levam um estado de graça e entendimento de fé, justiça e atitudes morais nortearão nossos pensamentos nessa sociedade atual que nos faz querer acreditar que o laicismo e o relativismo são caminhos modernos e corretos.
Este Morgado além de nos dar uma direção a seguir nos traz um perfil familiar de grande zelo espiritual e moral na qual vivia a jovem Joaquina e sua família. Uma pessoa criada nestes costumes não poderia jamais se tornar esta lenda cruel na qual tentaram transformar Dona Joaquina do Pompéu, que foi uma mulher a frente de seu tempo por suas atitudes justas e cristãs.
Assim inicia o Morgado:
“Instrução que deixo a meus filhos com a recomendação de que se governarem por ela, tomando cada um em particular para si as advertências que lhes faço.
Já que não está de minha parte amado filho, o fazer te feliz com o moderado patrimônio que possuo te não habilita para ficares rico, nem me dá meios para te gozares mais honras com as quais nascestes quero ao menos concorrer para a sua mais solida felicidade, instituindo um Morgado, para que possas seguramente gozar sem vocação de primogenitura par que se entenda igualmente a  todos e ainda no que for aplicável também às fêmeas para que lhes a sujeito a Lei Sálica, ou Mental: Tanto mais estimado quanto menos depende da fortuna de tal rendimento, que quanto mais uso fizeres dos bens que nele te deixo, menos falta hão de fazer. E por que não tardes em os gozar recebe já as propriedades que o constituem nos seguintes documentos:”
DOCUMENTO I
Ama sempre a Deus sobre todas as coisas; e para que este amor seja verdadeiro é necessário que conheças as razões que te obrigaram a ama-Lo. É Deus eterno e uma razão da dita que não teve princípio nem há de ter fim. Não podia ter principio porque não podia ter outra entidade que lhe desse nem há de ter fim, porque não pode acabar quem não principiou. Este mesmo Ser Eterno criou e sustenta sua suma ordem e perfeição no Universo. Tudo Lhe obedece, exceto o homem que sendo o que mais Lhe deve, é o mais ingrato. O primeiro que criou, transgrediu um único preceito que Deus lhe impôs, e desta transgressão deixou no pecado original manchada toda a sua descendência. De livres e capazes da glória passamos a escravos da culpa e sujeitos a eterna pena.
Oh que desgraça! Mas o mesmo Senhor que sendo um só Deus são três Pessoas, mandou o Sagrado que é o Unigênito e Eterno Filho tomar sobre si o peso dos nossos pecados. Ele tornou carne humana para poder morrer por nós, e com morte temporal e afrontosa que veio a sofrer nos abriu a porta da vida eterna.
Deixou nos a Lei da Graça e nos Sacramentos os remédios para nossas reincidências. Espera nos a emenda delas dando-nos auxílios para levantar de tantas quedas. Enfim são tantos e tais os favores que da Eterna Benedicência(sic) recebemos que não é possível numera-los, e todos naturalmente nos inspirarão o Amor Divino.

Na próxima semana apresentaremos o DOCUMENTO II.

Um comentário:

  1. Eis-me a ler este documento interessante.
    Interessei-me também pela historia da familia "Morgado", uma vez que também sou Morgado e busco incansavelmente conhecer minhas origens... Quiçá tenha eu também alguma raiz nesta sobredita familia...
    P. Morgado

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